sábado, 10 de janeiro de 2009

Regência

Regência

É a parte da Gramática Normativa que estuda a relação entre dois termos, verificando se um termo serve de complemento a outro. A palavra ou oração que governa ou rege as outras chama-se regente ou subordinante;os termos ou oração que dela dependem são os regidos ou subordinados.
Ex.: Aspiro o perfume da flor. (cheirar)/ Aspiro a uma vida melhor. (desejar)


Regência Verbal
1- Chegar/ ir – deve ser introduzido pela preposição a e não pela preposição em.
Ex.: Vou ao dentista./ Cheguei a Belo Horizonte.

2- Morar/ residir – normalmente vêm introduzidos pela preposição em.
Ex.: Ele mora em São Paulo./ Maria reside em Santa Catarina.

3- Namorar – não se usa com preposição.
Ex.: Joana namora Antônio.

4- Obedecer/desobedecer – exigem a preposição a.
Ex.: As crianças obedecem aos pais./ O aluno desobedeceu a o professor.

5-Simpatizar/ antipatizar – exigem a preposição com.
Ex.: Simpatizo com Lúcio./ Antipatizo com meu professor de História.

Atenção!
Estes verbos não são pronominais, portanto, são considerados construções erradas quando aparecem acompanhados de pronome oblíquo: Simpatizo-me com Lúcio./ Antipatizo-me com meu professor de História.

6- Preferir - este verbo exige dois complementos sendo que um usa-se sem preposição e o outro com a preposição a.
Ex.: Prefiro dançar a fazer ginástica.

Atenção!
Segundo a linguagem formal, é errado usar este verbo reforçado pelas expressões ou palavras: antes, mais, muito mais, mil vezes mais, etc.
Ex.: Prefiro mil vezes dançar a fazer ginástica.

Verbos que apresentam mais de uma regência
1 - Aspirar
a- no sentido de cheirar, sorver: usa-se sem preposição.
Ex.: Aspirou o ar puro da manhã.

b- no sentido de almejar, pretender: exige a preposição a.
Ex.: Esta era a vida a que aspirava.

2 - Assistir
a) no sentido de prestar assistência, ajudar, socorrer: usa-se sem preposição.
Ex.: O técnico assistia os jogadores novatos.

b) no sentido de ver, presenciar: exige a preposição a.
Ex.: Não assistimos a o show.
c) no sentido de caber, pertencer: exige a preposição a.
Ex.: Assiste a o homem tal direito.
d) no sentido de morar, residir: é intransitivo e exige a preposição em.
Ex.: Assistiu em Maceió por muito tempo.

3 - Esquecer/lembrar
a- Quando não forem pronominais: são usados sem preposição.
Ex.: Esqueci o nome dela.
b- Quando forem pronominais: são regidos pela preposição de.
Ex.: Lembrei-me do nome de todos.

4 - Visar
a) no sentido de mirar: usa-se sem preposição. Ex.: Disparou o tiro visando o alvo.
b) no sentido de dar visto: usa-se sem preposição. Ex.: Visaram os documentos.
c) no sentido de ter em vista, objetivar: é regido pela preposição a.
Ex.: Viso a uma situação melhor.

5 - Querer
a) no sentido de desejar: usa-se sem preposição. Ex.: Quero viajar hoje.
b) no sentido de estimar, ter afeto: usa-se com a preposição a.
Ex.: Quero muito aos meus amigos.

6 - Proceder
a) no sentido de ter fundamento: usa-se sem preposição.
Ex.: Suas queixas não procedem.
b) no sentido de originar-se, vir de algum lugar: exige a preposição de.
Ex.: Muitos males da humanidade procedem da falta de respeito ao próximo.
c) no sentido de dar início, executar: usa-se a preposição a.
Ex.: Os detetives procederam a uma investigação criteriosa.

7 - Pagar/ perdoar
a) se tem por complemento palavra que denote coisa: não exigem preposição.
Ex.: Ela pagou a conta do restaurante.
b) se tem por complemento palavra que denote pessoa: são regidos pela preposição a.
Ex.: Perdoou a todos.

8 - Informar
a) no sentido de comunicar, avisar, dar informação: admite duas construções:
1) objeto direto de pessoa e indireto de coisa (regido pelas preposições de ou sobre).
Ex.: Informou todos do ocorrido.
2) objeto indireto de pessoa ( regido pela preposição a) e direto de coisa.
Ex.: Informou a todos o ocorrido.

9 - Implicar
a) no sentido de causar, acarretar: usa-se sem preposição.
Ex.: Esta decisão implicará sérias conseqüências.
b) no sentido de envolver, comprometer: usa-se com dois complementos, um direto e um indireto com a preposição em.
Ex.: Implicou o negociante no crime.

c) no sentido de antipatizar: é regido pela preposição com.
Ex.: Implica com ela todo o tempo.

10- Custar
a) no sentido de ser custoso, ser difícil: é regido pela preposição a.
Ex.: Custou ao aluno entender o problema.
b) no sentido de acarretar, exigir, obter por meio de: usa-se sem preposição.
Ex.: O carro custou-me todas as economias.
c) no sentido de ter valor de, ter o preço: usa-se sem preposição.
Ex.: Imóveis custam caro.

Regência Nominal

Alguns nomes também exigem complementos preposicionados.
Conheça alguns:
acessível a
acostumado a, com
adaptado a, para
afável com, para com
aflito com, em, para, por
agradável a
alheio a, de
alienado a, de
alusão a
amante de
análogo a
ansioso de, para, por
apto a, para
atento a, em
aversão a, para, por
ávido de, por
benéfico a
capaz de, para
certo de
compatível com
compreensível a
comum a, de
constante em
contemporâneo a, de
contrário a
curioso de, para, por
desatento a
descontente com
desejoso de
desfavorável a
devoto a, de
diferente de
difícil de
digno de
entendido em
equivalente a
erudito em
escasso de
essencial para
estranho a
fácil de
favorável a
fiel a
firme em
generoso com
grato a
hábil em
habituado a
horror a
hostil a
idêntico a
impossível de
impróprio para
imune a
incompatível com
inconseqüente com
indeciso em
independente de, em
indiferente a
indigno de
inerente a
insaciável de
leal a
lento em
liberal com
medo a, de
natural de
necessário a
negligente em
nocivo a
ojeriza a, por
paralelo a
parco em, de
passível de
perito em
permissivo a
perpendicular a
pertinaz em
possível de
possuído de
posterior a
preferível a
prejudicial a
prestes a
propenso a, para
propício a
próximo a, de
relacionado com
residente em
responsável por
rico de, em
seguro de, em
semelhante a
sensível a
sito em
suspeito de
útil a, para
versado em

Tira Dúvidas

Listei algumas dúvidas mais comuns do dia-a-dia da língua portuguesa, para que você faça uma pequena revisão do seu vocabulário e evite erros comuns.

A OU HÁ?
A – preposição, indica fato futuro:Partiremos daqui a duas horas.
– do verbo haver, é usado em expressões que indicam tempo já transcorrido:
Tudo aconteceu há vinte anos.

À MEDIDA QUE OU NA MEDIDA EM QUE?
À medida que – indica proporção, desenvolvimento simultâneo e gradual, equivale “ à proporção que”.O crime foi solucionado à medida que as investigações avançaram.
A medida que o tempo passa, os costumes mudam.
Na medida em que – indica uma causa, equivale a “porque”, “uma vez que”:
O fornecimento de luz foi interrompido na medida em que os pagamentos não vinham sendo efetuados.
A expressão à medida que equivale a na medida em que. Ambas são corretas

A PAR OU AO PAR?
A par – sentido de “bem informado”, “ciente”:Você precisa se manter a par de tudo o que acontece
Ao par – expressão usada para indicar relação de equivalência ou igualdade entre valores financeiros:As moedas fortes mantêm o câmbio ao par.

AO ENCONTRO DE OU DE ENCONTRO A?
Ao encontro de – indica “ser favorável a”, “aproximar-se de”:
Sua opinião veio ao encontro da minha.
Quando o vi, fui ao seu encontro.
De encontro a – indica “oposição”, “colisão”:Sua opinião sempre veio de encontro à minha.
O caminhão foi de encontro ao poste.

A CERCA DE OU HÁ CERCA DE?
Acerca de - significa “sobre”, “a respeito de”:Haverá uma exposição acerca das obras já entregues.
Há cerca de - indica um período aproximado de tempo já transcorrido:
O Brasil foi descoberto há cerca de quinhentos anos.

AFIM OU A FIM?
Afim – adjetivo que significa “igual”, “semelhante”. Relaciona com a ideia de “afinidade”:
São pessoas afins.
A fim - significa “para” indica ideia de finalidade:Ela tentou fingir ser rica a fim de nos enganar.

EM NÍVEL OU A NÍVEL DE?
Em nível - só pode ser usado em situações em que existam "níveis":
Este problema só pode ser resolvido em nível de diretoria.
A nível de - não existe. Foi um modismo criado nos últimos anos. Devemos evitá-lo:”A nível de relatório, o trabalho está muito bom.”O certo é: "Quanto ao relatório... ou Com referência ao relatório..."

MAS OU MAIS?
Embora parecidas na pronúncia, em várias partes do Brasil, trata-se na verdade de palavras diferentes.
Mas - conjunção adversativa, equivalente a “porém”, “contudo”, “entretanto”:
O Brasil passa por melhorias, mas não consegue se desenvolver.
Mais – pronome ou advérbio de intensidade:
Ela é uma das mulheres mais bonitas do país.

MAU OU MAL?
Mau – adjetivo, significa ruim, de má índole ou má qualidade. Opõe-se a bom.
Aquela menina tem um coração mau.
Mal - pode ser conjunção (indicando tempo), advérbio (opõe-se a bem) ou substantivo (significando doença):
O time jogou mal, mas conseguiu recuperar no final da partida.

ONDE OU AONDE?
Onde - indica o lugar em que está ou acontece algum fato:
Onde você está?
Onde vai ficar nas suas férias?
Aonde - indica movimento ou aproximação:
Aonde você vai?Aonde devo passar para chegar no bairro ao lado?

DEMAIS OU DE MAIS?
Demais – pode ser advérbio de intensidade, com sentido de “muito”, pode aparecer intensificando verbos, adjetivos ou outros advérbios. Também pode ser pronome indefinido, equivalente a “os outros”:
Estamos bem até demais.Os demais membros do clube.
De mais – oposto de “de menos”. Refere-se a um substantivo ou pronome:
Não vi nada de mais em sua atitude.

SENÃO OU SE NÃO?
Senão – equivale a “caso contrário” ou “a não ser”:Preciso que ela chegue a tempo, senão será cancelada a reunião.S
Se não – aparece em orações condicionais, equivale a “caso não”:Se não houver competência, não ganharemos as eleições.

TAMPOUCO OU TÃO POUCO?
Já não se enforcavam ladrões, tampouco os falsários.
Era tão pouco o que ofereciam para comer.
TAMPOUCO significa também não (advérbio).
TÃO POUCO significa muito pouco (advérbio).

Material coletado no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Reforma Ortográfica

O que muda com a reforma da língua portuguesa

As novas regras da língua portuguesa começam a ser implementadas em 2009. Mudanças incluem fim do trema e devem mudar entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro. Veja abaixo quais são as mudanças.

HÍFEN

PREFIXO E FALSO PREFIXO

Aero, agro, alvi, ante, anti, arqui, auto, bio, contra, des, eletro, entre, extra*, foto, geo, hidro, in, infra, intra, macro, maxi, mega, micro, mini, moto, multi, nano, neo, pluri, poli, proto, pseudo, re, retro, semi, sobre, socio, supra, tele, tri, ultra, vaso, vídeo – Usar hífen qdo seguido de mesma vogal, H, R(dobra o R), S(dobra o S)
Ciber, hiper, inter, super – Usar hífen antes de quando seguido de vogal, H, R.
Sob, sub – vogal, H, R, B.
Circum, pan – vogal, H, M, N.
Bem – Vogal, H.
Mal – Vogal, H.
Co – Mesma vogal, H, S(dobra o S)
Ab, ad, ob – H, R, D.
Pré, pró, pós, ex, sem, além, aquém, recém, sota, soto, vice, vizo – SEMPRE usa o hífen.
Pre, pro, pos, re – NUNCA.
Açu, guaçu, mirim (SUFIXO) – SEMPRE.

Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista". Letras iguais se rejeitam e ganham hífen.
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada". Letras diferentes se atraem e não ganham hífen..

TREMA

Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados.

O trema sobre o u das formas que, qui, gue, gui foi abolido da Língua Portuguesa.
A pronúncia átona do u, porém, permanece.

Tenho cinquenta anos de idade.
Estou muito tranquilo.

ACENTO DIFERENCIAL

Não se usará mais para diferenciar:

1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)

2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)

3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")

4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)

5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)
6. pôde permanece com o acento diferencial.


ALFABETO

Passará a ter 26 letras.
Foram incorporadas oficialmente as letras k, w e y à Língua Portuguesa.

Essas letras nunca deixaram de ser usadas pelos brasileiros. Só não eram oficializadas. Agora o são.

Devem ser usadas respeitando as seguintes regras:

1) símbolos
São usadas em siglas, símbolos e palavras indicadoras de unidades de medida de uso internacional:
Km, kg, W (watt)

2) estrangeirismos
São usadas em palavras e nomes estrangeiros e seus derivados. O mesmo ocorre com o trema:
Waffle, ketchup, kantismo, kart, yakuza, yin-yang, yuppie, wagneriano, walkie-talkie, Kuwait, malawiano, Müller, mülleriano.

3) nomes próprios de pessoas
Apesar de não constar de manual algum, não há como negar o direito de os pais nomearem seus filhos utilizando essas letras:
Kátia, Katya, Wellington, Walter, Wilson, Yasmin

ACENTO CIRCUNFLEXO

Não se usará mais:

1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"

2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"

ACENTO AGUDO

Não se usará mais:

1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"

2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca"

3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem.

As oxítonas e os monossílabos tônicos mantêm os acentos. Só as paroxítonas perderam os acentos.

GRAFIA

No português lusitano:1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo"

Apredendo a Língua Portuguesa

Sintaxe

Colocação pronominal
É a parte da gramática que trata da correta colocação dos pronomes oblíquos átonos na frase.
Embora na linguagem falada a colocação dos pronomes não seja rigorosamente seguida, algumas normas devem ser observadas sobretudo na linguagem escrita.

Atenção! Existe uma ordem de prioridade na colocação pronominal:
1º tente fazer próclise, depois mesóclise e e em último caso ênclise.

Próclise: É a colocação pronominal antes do verbo.A próclise é usada:
1) Quando o verbo estiver precedido de palavras que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
a) Palavra de sentido negativo: não, nunca, ninguém, jamais, etc.Ex.: Não se esqueça de mim.
b) Advérbios. Ex.: Agora se negam a depor.
c) Conjunções subordinativas. Ex.: Soube que me negariam.
d) Pronomes relativos. Ex.: Identificaram duas pessoas que se encontravam desaparecidas.
e) Pronomes indefinidos. Ex.: Poucos te deram a oportunidade.
f) Pronomes demonstrativos. Ex.: Disso me acusaram, mas sem provas.

2) Orações iniciadas por palavras interrogativas. Ex.: Quem te fez a encomenda?

3) Orações iniciadas pr palavras exclamativas. Ex.: Quanto se ofendem por nada!

4) Orações que exprimem desejo (orações optativas). Ex.: Que Deus o ajude.

Mesóclise: É a colocação pronominal no meio do verbo.A mesóclise é usada:
1) Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, contanto que esses verbos não estejam precedidos de palavras que exijam a próclise.
Ex.: Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em prol da paz no mundo.
Não fosse os meus compromissos, acompanhar-te-ia nessa viagem.

Ênclise: É a colocação pronominal depois do verbo. A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não forem possíveis:

1) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo. Ex.: Quando eu avisar, silenciem-se todos.
2) Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal. Ex.: Não era minha intenção machucar-te.
3) Quando o verbo iniciar a oração. Ex.: Vou-me embora agora mesmo.
4) Quando houver pausa antes do verbo. Ex.: Se eu ganho na loteria, mudo-me hoje mesmo.
5- Quando o verbo estiver no gerúndio. Ex.: Recusou a proposta fazendo-se de desentendida.

Atenção! O pronome poderá vir proclítico quando o infinitivo estiver precedido de preposição ou palavra atrativa.
Ex.: É preciso encontrar um meio de não o magoar./ É preciso encontrar um meio de não magoá-lo.

Colocação pronominal nas locuções verbais
1) Quando o verbo principal for constituído por um particípio:
a) O pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar. Ex.: Haviam-me convidado para a festa.
b) Se, antes do locução verbal, houver palavra atrativa, o pronome oblíquo ficará antes do verbo auxiliar. Ex.: Não me haviam convidado para a festa.

Se o verbo auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde que não haja antes dele palavra atrativa. Ex.: Haver-me-iam convidado para a festa.

2) Quando o verbo principal for constituído por um infinitivo ou um gerúndio:

a) Se não houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. Ex.: Devo esclarecer-lhe o ocorrido/ Devo-lhe esclarecer o ocorrido.
Estavam chamando-me pelo alto-falante./ Estavam-me chamando pelo alto-falante.
b) Se houver palavra atrativa, o pronome poderá ser colocado antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. Ex.: Não posso esclarecer-lhe o ocorrido./ Não lhe posso esclarecer o ocorrido.
Não estavam chamando-me./ Não me estavam chamando.

Observações importantes

Emprego de o, a, os, as
1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral os pronomes o,a,os,as não se alteram.
Ex.: Chame-o agora. Deixei-a mais tranqüila.

2) Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes finais alteram-se para lo, la, los, las.
Ex.: (Encontrar)Encontrá-lo é o meu maior sonho. (Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.

3) Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, ão, õe, õe,), os pronomes o, a, os, as alteram-se para no, na, nos, nas.Ex.: Chamem-no agora. Põe-na sobre a mesa.

4) As formas combinadas dos pronomes oblíquos mo, to, lho, no-lo, vo-lo, formas em desuso, podem ocorrer em próclise, ênclise ou mesóclise. Ex.: Ele mo deu. (Ele me deu o livro)



Concordância nominal

Regra geral:
o artigo, o numeral, o adjetivo e o pronome adjetivo concordam com o substantivo a que se referem em gênero e número.
Ex.: Dois pequenos goles de vinho e um calçado certo deixam qualquer mulher irresistivelmente alta.

Concordâncias especiais:
Ocorrem quando algumas palavras variam sua classe gramatical, ora se comportando como um adjetivo (variável) ora como um advérbio (invariável).

Mais de um vocábulo determinado
1- Pode ser feita a concordância gramatical ou a atrativa.
Ex.: Comprei um sapato e um vestido pretos. (gramatical, o adjetivo concorda com os dois substantivos)Comprei um sapato e um vestido preto. (atrativa, apesar do adjetivo se referir aos dois substantivos ele concordará apenas com o núcleo mais próximo)

Um só vocábulo determinado
1- Um substantivo acompanhado (determinado) por mais de um adjetivo: os adjetivos concordam com o substantivo
Ex.: Seus lábios eram doces e macios.

2- Bastante- bastantes
Quando adjetivo, será variável e quando advérbio, será invariável
Ex.: Há bastantes motivos para sua ausência. (bastantes será adjetivo de motivos)
Os alunos falam bastante. ( bastante será advérbio de intensidade referindo-se ao verbo)

3- Anexo, incluso, obrigado, mesmo, próprio
São adjetivos que devem concordar com o substantivo a que se referem.
Ex.: A fotografia vai anexa ao curriculum.Os documentos irão anexos ao relatório.

Atenção! Quando precedido da preposição em, fica invariável.

Ex.: A fotografia vai em anexo.
Envio-lhes, inclusas, as certidões./ Incluso segue o documento.
A professora disse: muito obrigada./ O professor disse: muito obrigado.
Ele mesmo fará o trabalho./ Ela mesma fará o trabalho.

Atenção! Mesmo pode ser advérbio quando significa realmente, de fato.
Será portanto invariável.
Ex.: Maria viajará mesmo para os EUA.
Ele próprio fará o pedido ao diretor./ Ela própria fará o pedido ao diretor.

4- Muito, pouco, caro, barato, longe, meio, sério, alto
São palavras que variam seu comportamento funcionando ora como advérbios (sendo assim invariáveis) ora como adjetivos (variáveis).

Ex.: Os homens eram altos./ Os homens falavam alto.
Poucas pessoas acreditavam nele./ Eu ganho pouco pelo meu trabalho.
Os sapatos custam caro./ Os sapatos estão caros.A água é barata./ A água custa barato.
Viajaram por longes terras./ Eles vivem longe.
Eles são homens sérios./ Eles falavam sério.
Muitos homens morreram na guerra./ João fala muito.
Ele não usa meias palavras./ Estou meio gorda.

5 - É bom, é necessário, é proibido

Só variam se o sujeito vier precedido de artigo ou outro determinante.
Ex.: É proibido entrada de estranhos./ É proibida a entrada de estranhos.
É necessário chegar cedo./ É necessária sua chegada.

6 - Menos, alerta, pseudo
São sempre invariáveis.

Ex.: Havia menos professores na reunião./Havia menos professoras na reunião.
O aluno ficou alerta./ Os alunos ficaram alerta.
Era um pseudomédico./ Era uma pseudomédica.

7 - Só, sós
Quando adjetivos, serão variáveis, quando advérbios serão invariáveis.
Ex.: A criança ficou só./ As crianças ficaram sós. (adjetivo)

Atenção! A locução adverbial a sós é invariável.
Ex.: Preciso falar a sós com ele.

8 - Concordância dos particípios
Os particípios concordarão com o substantivo a que se referem.
Ex.: Os livros foram comprados a prazo./ As mercadorias foram compradas a prazo.

Atenção! Se o particípio pertencer a um tempo composto será invariável.

Ex.: O juiz tinha iniciado o jogo de vôlei./ A juíza tinha iniciado o jogo de vôlei.
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O USO DO "PORQUE", "POR QUE", "POR QUÊ", "PORQUÊ"
Na língua portuguesa, existem quatro tipos de "porquês".
Eles são utilizados em ocasiões diferentes, mas é muito fácil se enganar em uma redação. Veja a diferença entre eles:
Por que (separado sem acento).
Usa-se esta forma para iniciar perguntas:
- Por que fizeste isso?Podemos trocar o "por que" por "pelo qual motivo", sem alterar o sentido:
- Pelo qual motivo fizeste isso? Por que -> pelo qual motivo.
Porque (junto sem acento)
Utilizamos esse formato para responder perguntas, exemplo:
- Fiz isso porque era necessário. É possível trocar o "porque" por "pois", sem alterar o sentido:
- Fiz isso pois era necessário. Porque -> pois.
Por quê (separado com acento)
Utiliza-se o "por quÊ" em final de frases:
- Sabemos que você não compareceu à reunião, por quê?
Porquê (junto com acento)
Essa forma é utilizada quando o "porquê" tem função de substantivo:- Se ele fez isso, teve um porquê (motivo)- Gostaria de entender o porquê eu tenho que ir.